Mesmo que não escrevas livros, és escritor da tua vida. Mesmo que não sejas Van Gogh, podes fazer da tua vida uma obra de arte!

03
Dez 08

“Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga ser livre sem o ser” (Goethe)

 

    Liberdade é uma das palavras mais bonitas em português ou em qualquer outra língua pois representa uma condição fundamental da vida humana, porque existir é, naturalmente, ser livre; porque ter liberdade é ter capacidade de construir o futuro, a sua vida. O direito à liberdade é uma condição essencial do ser humano. Mas ter liberdade não significa ter o direito de fazer tudo aquilo que nos apetece. Ninguém tem o direito de fazer uma coisa que vai contra a liberdade de uma outra pessoa; a liberdade de cada um não pode nem deve afectar a liberdade dos outros.
    Afinal o que é a liberdade? Este conceito é muito complexo, na medida em que abrange diversos sentidos: diz respeito ao indivíduo e à sociedade, à ética e à política, à arte, à religião, à ciência, a quase todas as áreas da actividade humana. Além disso este conceito é, também, muito subjectivo, uma vez que ao longo dos séculos nem todos os filósofos, por exemplo, tiveram a mesma opinião sobre o que é para eles, e para nós, a liberdade. É devido a esta multiplicidade e a esta subjectividade que os filósofos foram criando e defendendo teses acerca deste tema.
    São várias as diferentes perspectivas abordadas, no entanto todas elas incidem numa ou até em duas posições completamente opostas: uma delas defende que a Liberdade é uma ilusão, na medida em que a nossa conduta é sempre determinada (temos sempre razões para agir, em que o dever é a variedade superior de determinismo); a outra afirma que a Liberdade é um absoluto que nos permite fazer não importa o quê (não existem determinismos à nossa acção; remete para a inexistência do dever).
    Relativamente à religião, Cristo libertou-nos para que fôssemos livres o gozássemos da plenitude da vida Cristã. Entretanto, o que mais vemos hoje em dia são igrejas que têm quase como objectivo principal a permanência em regras humanas, muitas delas sem qualquer justificação plausível. Algumas delas baseiam-se numa interpretação restritiva de um versículo isolado e descontextualizado.
    A liberdade é um dos maiores princípios do cristianismo. Foi baseado nele que Lutero fez as bases da Reforma Protestante. O cristão é livre para pensar e buscar a Deus. A liberdade cristã não está limitada a nada: “tudo me é permitido”. Mas o “nem tudo me convém” e o “mas não deixarei que nada me domine” evidenciam que esta liberdade é moderada pelo cristão. A preocupação do cristão em obedecer a Deus faz com que este procure fazer aquilo que Deus quer. A liberdade é modificada por causa disso? Não. “E andarei em liberdade; pois busco os teus princípios.” - Salmos 119.45.
    Portanto, podemos afirmar que não é fácil ser-se livre. Como diz Vergílio Ferreira em Nítido Nulo “É mais difícil ser livre do que puxar a uma carroça. Isto é tão evidente que receio ofender-vos. Porque puxar uma carroça é ser puxado por ela pela razão de haver ordens para puxar, ou haver carroça para ser puxada. Ou ser mesmo um passatempo passar o tempo puxando. Mas ser livre é inventar a razão de tudo sem haver absolutamente razão nenhuma para nada. É ser senhor total de si quando se é senhoreado. É darmo-nos inteiramente sem nos darmos absolutamente nada. É ser-se o mesmo, sendo-se outro. É ser-se sem se ser. Assim, pois, tudo é complicado outra vez. É mesmo possível que sofra aqui e ali de um pouco de engasgamento. Mas só a estupidez se não engasga, ó meritíssimos, na sua forma de ser quadrúpede, como vós o deveis saber."
     Ser livre não é obrigatoriamente uma coisa boa. Não é, por si só, sinónimo de felicidade. Quantos de nós podem dizer que são realmente livres? Ser livre é, em muitas circunstâncias ser fechado e não aberto como se julga. A liberdade de podermos sempre decidir casa passo, cada gesto, cada olhar não é mais que a prova do nosso egoísmo. O ser humano não foi feito para viver sozinho. E companhia implica partilha, compreensão, tolerância, respeito. A verdadeira liberdade é atingida quando decidimos fazermos o que não queremos, porque queremos. E recebermos de volta aquele é que nos mostra que somos realmente livres. Liberdade não se compra, se conquista-se a cada dia. Para ser livre é preciso perder tudo, até a esperança...
 

 

"... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

 

(Miguel Sousa Tavares)

publicado por bepure às 00:06
sinto-me:

A Liberdade total é uma ilusão.
Nunca podemos ser totalmente Livres se o nosso Futuro estiver determinado, se tivermos um destino traçado. Quem acredita no destino não é Livre. Porque se acreditamos que tudo está determinado nunca poderemos realmente ser donos e senhores das nossas acções. Simplesmente porque já tudo está determinado.

É como uma pessoa que acredita na previsão do Futuro por uma Vidente qualquer, essa pessoa tem automaticamente de acreditar que tudo está determinado porque senão nunca acreditaria que houvesse um futuro certo. Ora, se há um Futuro certo não percebo a necessidade da pessoa de o saber. Para quê saber se nunca o poderá modificar? Para quê gastar dinheiro numa vidente que nem certezas tem que aquilo que ela diz é certo se tudo já está determinado e ela não pode nada fazer contra isso?

É algo que me inquieta.

A Igreija defende que somos livres, mas contraria-se ao referir as professias do testamento antigo. Porque se já haviam professias quer dizer que o futuro estava condicionado. E se tudo está condicionado então não somos livres. Porque tudo o que fazemos tem já algo por trás. Logo não podemos fazer mais nada senão aquilo.

O ser humano não é livre, vive é na ilusão.
Isabel Sanchez a 3 de Dezembro de 2008 às 21:57

Estou a dar-te uma resposta ao que me disses-te no meu texto do amor, bepure. Bem, és muito romantica, dá apra ver que és, sim, és, pelo que te conheço, és, és o romantismo em forma de gente.

E sim, não é a mesma coisa beijar quem se ama e beijar quem se é indiferente, penso que sirvo de exemplo disso, um verdadeiro exemplo mesmo.

Mas o amor não é sempre amor, às vezes é hábito, e nisso tenho razão. Podem dizer que sou insensivel e que nao tenho uma mente aberta ao amor, mas que posso fazer, penso assim, estranho, não? Uma pessoa tão apaixonada e tao dada como eu não acreditar que há amor eterno... Bem, que se pode fazer?

E sim, um beijo não pode ser uma prova para o outro, serve se prova apra nós, pois ao beijarmos uma pessoa que não amamos só ficamos nós a perceber que não a amamos, ela continua a viver na ilusão e a pensar que o amor é lindo.

Beijinhos @

Da tua fiel amiga,
Filipa Sales
Filipa Sales a 4 de Dezembro de 2008 às 21:50

"E sim, um beijo não pode ser uma prova para o outro, serve se prova apra nós, pois ao beijarmos uma pessoa que não amamos só ficamos nós a perceber que não a amamos, ela continua a viver na ilusão e a pensar que o amor é lindo."

A outra pessoa nunca sabe. Não é nenhum tipo de prova, concordo.
Só nós é que sabemos.
Isabel Sanchez a 4 de Dezembro de 2008 às 23:58

Realmente, n´s temos tudo :D
Isabel Sanchez a 4 de Dezembro de 2008 às 23:56

Sinceramente não acredito nem só no determinismo nem só no libertismo, acredito em ambos em simultâneo, pois, há coisas que nós pudemos mudar, podemos ter as nossas escolhas, por exemplo, podemos ter "marcada" uma coisa no destino e, lutando e vencendo pudemos alterá-la a nosso favor, podemos modificar, mas isto não quer dizer que sejamos livres.
A liberdade não é fazer o que nos dá na "real gana", é saber os limites, é saber o que quermos, lutar por isso, mas sem prejudicar ninguém, se queremos ser livres não podemos impedir ninguem de o ser... É verdade isto, não?

Ser livre é muito bonito, mas não é real, é um pouco ilutório.

(Lê e comenta (se quiseres), o meu texto da ilusão, penso que és capaz de gostar.)

Muitos beijinhos,
FSales @
Filipa Sales a 5 de Dezembro de 2008 às 23:27

Esse cara e muito toop....
Gosteii muito oque ele disse sobre a liberdade.....
Me ajudou a comprieende oque e liberdade e me ajudou a fazer minha redaÇao....
bruno a 12 de Fevereiro de 2013 às 18:44

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